A Falta Que Me Consome (Poema)


Cayo Rayan


.Poema. 

A Falta Que Me Consome


Lamentando por mais um hábito interrompido

Pois, apesar de tudo ter ficado subentendido 

Roubou minha paz feito bandido

E, antes do adeus, queria ter feito um pedido


Sua doce imagem, antes companheira

Tornou-se sombra passageira

Antes, meu lugar preferido, hoje trincheira 

Onde a dor é regra e a solidão é certeira 


Se conversar contigo já era um alívio 

Não pude evitar desejar o convívio

Nossos planos sempre fugiram do óbvio 

Ter você era meu milagre mais improvável 


Tudo parecia correr bem, eu, você, nós 

Queria me perder contigo nos lençóis 

Sorrindo à toa por ouvir sua voz 

Até que apareceu um ruído feroz 


Que me impediu de saber por onde andava 

E o olhar pelo qual o meu cintilava 

Perdeu-se como se nunca tivesse existido 

Como se todo teu afeto tivesse se diluído 


Logo, como um passarinho assustado 

Que perdeu um ente amado 

Emiti um canto solitário, um recado 

Sem que nada me fosse revelado 


Doce alma, que outrora fez a minha bilhar 

Éramos dois separados ou um par? 

Você ouviu minhas notas sob o luar? 

Aonde meu benquerer foi parar? 


Eu queria ter tido a chance de te mostrar 

Quão dedicado eu poderia ser em te decifrar 

E o quanto uma simples mensagem sua

Levantava meu humor até a lua 


Não sei o que te levou a desejar partir 

Nem se um dia nosso caso poderá ressurgir 

Mas saiba, meu bem, eu queria reconstruir 

Ao invés de deixar o sentimento sucumbir


O mundo seguiu, apesar de sua ausência 

E, onde estiver, espero que tenha ciência

Que meu coração te guardará com paciência 

Não amei apenas seu rosto, amei tua essência 


Que o nosso quase algo terá um lugar especial 

Mesmo sem um adeus formal 

Mesmo que nunca voltemos a nos encontrar 

Meu peito sempre vai entoar 


Uma bela melodia 

Em fina sintonia 

Soletrando seu nome 

Triste, pela falta que me consome. 


Cayo Rayan 

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