Amor Inexistente .Poema.

Cayo Rayan


.Poema. 

Amor Inexistente

Há tempos olhei para ti
E fingi que não tinha visto nada demais
Quantas dúvidas eu te omiti
Olhei de novo, coração acelerado, tanto faz

E quantas vezes eu entrei no teu perfil
Buscando pistas e assuntos pra conversar
Mas desisti de fazer isso com o peito a mil
Você tem um fogo quente demais no olhar

É domingo de manhã e eu queria tanto
Ter acordado com você, viver contigo
Como não admirar depois de ver o encanto
Que carregas na alma tal qual abrigo antigo

Um abrigo com uma cachoeira cristalina
Cheio de mata virgem, como a do Pará
Águas tão claras como as de uma piscina
Abraçar você deve ser como estar lá

Mas você não é nada pra mim
O que penso só está na minha imaginação
É uma pena que seja assim
Sonhar em te ter é mera alucinação.

Eu sempre dou o melhor que posso
Por sonhos que nunca viram verdade
E querer chamar o meu de nosso
É só uma doce escapatória da realidade

É doentio, mas as vezes eu me pergunto
Se não sou suficiente pra você
Se você prefere mudar de assunto
Como ser suficiente pra mim, como merecer

A felicidade que disseram que eu ia ter?
Se me esforçasse e trabalhasse duro
Mas, tudo o que vejo nisso é o cansaço bater
Me esforço e, nessa inquietude, perduro

O que mais me espanta
É que eu tenho as respostas que busco
Mas o meu coração tanto canta
Que é preciso dar um golpe brusco

Pra que ele se cale e eu ouça
A sábia voz da minha intuição
Se eu fizesse uma faxina e lavasse a louça
De todos esses sentimentos de rejeição

Eu já saberia que a conta nunca fecha
Porque eu insisto no caro, não no acessível
Dá pra ver, mesmo que olhando pela brecha
Que eu tento viver um sonho impossível

Conclusões duras pra um rapaz apaixonado
Realidades brutas pra fazer história
Um rostinho fofo que não quer ser olhado
Um amor inexistente que só é estória.

Cayo Rayan

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