É Isso Que Quero .Poema.
.Poema.
É Isso Que Quero
Não sei como descrever o que sinto
Pensei que esse sentimento estava extinto
Mas percebo que estou preso num labirinto
Milhares de caminhos num mesmo recinto
De um amor que poderia ser tão sucinto
Neste poema não haverá dedicatória
Pois nesta oratória
Não há nada além da minha memória
E nada mais que história
Sobre uma certa pessoa, simplória
De tantos amores que já tive
Em nenhum tão fortemente estive
Pra deixar meu destino solto num declive
E vê-lo ir descendo, lentamente, num deslize
Ignorando o fato de que sou detetive
E de tanto planejar, investigar, escolher
Esqueci que precisava, a mim mesmo, acolher
E numa algazarra excitante de se ver
Fui escolher justamente você
Alguém que, já tantas vezes, me fez sofrer
Deveria ser claro, deveria ser óbvio
De que ter você por perto não seria alívio
E se soubesse do verdadeiro dilúvio
Que meu pranto seria, evitaria convívio
E fugiria dessa situação, deveras horrível
Doce alma confusa
Entrastes na minha vida como intrusa
Pensei que era donzela, era Medusa
Você me destrói quando me usa
Beija, morde, lambuza e depois abusa
Uma pena que eu não soubesse
Não houve alma vivente que me dissesse
Como se alguém pudesse
Quando nem Deus revelou na minha prece
Que você só me traria estresse
Mas, já que é pra beber, me dê a taça
Vamos comemorar minha desgraça
Porque esse amor foi uma completa trapaça
Na qual sempre quem tanto me abraça
É justo quem acaba com a minha raça
Brincando com sentimentos
Era pra sempre, mas só durou momentos
Contra fatos não há argumentos
Querida vida, se amores são incrementos
Por que eles me quebram em fragmentos?
Divido entre sentir gratidão ou ódio
Dos maiores idiotas devo estar num pódio
Dos meus amigos sofro até assédio
Esses colegas me usam pra sair do tédio
Porque meus amores são quase suicídio
E eu me sinto em dúvida quanto a desistir
Ou simplesmente deixar fluir
Dar assas ao coração é algo bom de sentir
Até que ele comece a cair
Sem que você possa impedir
Deus, me dê uma trégua
Faça assim, me coloque numa régua
E reparta a parte mais exígua
Pra que não sofra com uma má língua
E me dê uma felicidade, mesmo que ambígua
Porque eu estou cansado de me entregar
Deus, eu estou cansado de esperar
Cansado de ver um romance decolar
Pra, logo em seguida, se despedaçar
E me fazer, como um simples bebê, chorar
Dê-me aquela autonomia dos filmes
Não a adrenalina dos crimes
Não a amargura dos ciúmes
Nem a retidão dos costumes
Faça-me suficiente pra caminhos íngremes
Faça-me feliz sozinho
Antes de me dar alguém
Pra me acompanhar no meu caminho
É isso que quero
Cayo Rayan

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