Dúvidas .Poema.
.Poema.
Dúvidas
Se eu não fosse eu
Será que eu me acharia legal?
Se esse corpo não fosse meu
Eu ainda o acharia especial?
Se eu fosse um conhecido
Eu me acharia bonito?
Será que um dia eu ainda vou ser?
Será que terei aquilo que quero ter?
E se eu só envelhecer
E deixar a vida, por mim, passar
Sem nunca conquistar
O meu, tão almejado, lugar?
O ruim é que eu não tenho abertura pra lutar
Meu Deus, pensar no futuro dói
E as vezes minhas esperanças destrói
Mas eu ainda tento sonhar
O que custa tentar?
Ainda tenho fé de alcançar
Um dia eu ainda vou vender meus livros
E as pessoas vão comprar, vão gostar
Porque eles serão escritos
Com amor, pra conseguirem tocar
Pra conseguirem cativar
Todo aquele que em mim acreditar.
E francamente, será que eu sou realmente
Um artista descente
Ou só não estou ciente
Da minha pequenez inconsequente
Ou não vivi o suficiente?
Se eu não tiver bom senso não terei saída
Torço pra que um dia eu consiga
Dar minhas palestras, construir minha vida
A vida de escritor, a vida de artista
Porque não falta assunto, não falta ferida
Pra ser interpretada, pra ser referida
Arte é ver a vida e não a deixar esmorecida
E mesmo que eu tenha minhas dúvidas
Resta saber se o futuro vai ser bom
E minhas dúvidas são estúpidas
Ou se me falta o dom
E se o futuro é ruim
Acho que morrerei assim
Assim sem tocar as pessoas como gostaria
Sonhando com o dia que tudo começaria
Sonhando com a arte de vender livros
De ter um público fiel, meus leitores queridos
De ter, enfim, meu sonho atingido
E não esquecido.
Cayo Rayan

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