Intitulável .Poema.
Intitulável
O que há de errado comigo?
Deve ser alguma coisa
Se não, eu não estaria de castigo
Friamente melancólico e sem escolha
O que aconteceu contigo?
Nada, você está como sempre, igual
O problema sou eu, está decidido
Eu que me sujeito a este papel infernal
De nunca chegar ao ápice
E de tentar compensar com algo mais
Eu sempre cedo ao seu enlace
E nunca estou satisfeito nos finais
Eu finjo estar gostando disso tudo
Enquanto nossos corpos suados se encontram
Num quente e fechado quarto escuro
Nossos ânimos se evocam e se misturam
Você sempre consegue o que quer
E eu tento, tento, tento, mas nada
Somos tal qual marido e mulher
E eu tenho mais uma tentativa fracassada
Agora eu estou te segurando comigo
Entre meus abraços, te entrego um beijo
Eu gosto de você, eu sempre te digo
Mas você me acorda com esse seu jeito
Então é isso, não é?
Você só quer o calor, o rubor, o odor.
Eu tenho fome de atenção, você sabe como é
E você dispensa o meu sincero, possível amor
Por que você não me toca?
Digo, me tocar com o interesse de antes.
Por que você não nota,
Que eu quero bem mais que um lance?
Por que tu não me correspondes?
Eu esperava, convicto, que você me amaria
Quero ser alvo dos sentimentos que escondes
Eu sei, posso não ser mil maravilhas
Mas o que seriam das nossas vidas
Se tudo fosse perfeito?
Eu digo e repito, quero mais que mordidas
Esse é o ponto chave, o conceito
Eu quero um amor que não deixe feridas
Só uma lembrança boa
Então, por favor, trate de juntar nossas trilhas
Enquanto meu coração ecoa
Eu vejo o medo, o temor em seus olhos.
Meu desejo a ti parece tremendo
Você só quer se fechar e trancar os ferrolhos
Tudo bem, eu te entendo
Talvez você só precise de tempo
Talvez eu seja muito apressado
O problema é que eu não compreendo
O porquê de já não estarmos casados
O que eu sinto por você é in-ti-tu-lá-vel.
Mas, talvez você só precise de tempo
Um tempo suficiente
Longo, monótono e sensual
Até que eu entenda meu erro e me contente,
De não te ter, afinal.
Cayo Rayan

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