Minha Essência É Doida .Poema.
.Poema.
Minha Essência É Doida
Ontem eu tive um sonho pra lá de estranho
Sonhei que era entrevistado por Danilo Gentili
Ele perguntava e eu respondia sem acanho
O assunto era diverso então eu que lide
Com a pressão de ser assistido por milhões
Na verdade ser famoso é uma graça enorme
Atingir pessoas, fazer dinheiro, ter carrões
Tudo incrivelmente perfeito, até que eu acorde.
Ele me olhou e disse: moço, qual sua essência?
Eu, excelente piadista, respondi com sapiência
Meu caro, minha essência é ser doido varrido
Ele se virou rindo para a plateia: não acredito!
Amigo,estou intrigado com sua desconfiança
Agora vou te provar, que desde eu criança
Eu já era pior que o menino maluquinho
De ruindade era todo, de bondade sequinho.
Já quebrei a perna uma vez por danação
Me estabaquei de um balançador no chão
Já tomei banho de lama, feito um bacurinho
E o engraçado é que eu não estava sozinho
Tinha gente grande presente
Se fosse irmão servia pra dividir a pisa, gente
Mas não era, era cada cá com sua lapada
Tanto que minha mãe de tão calejada
Não me deixava sair nem da calçada.
Uma vez um psicólogo me disse isso tudo
Que eu era dois, um bonzinho o outro doidinho
Que era de criação, era pra mim escudo
Ser danado por dentro e por fora quietinho
Não que seja vantagem, é adaptação, evolução
Pra não morrer de pisa por tanta confusão
E pra não enlouquecer de tanto sermão.
Eu era louco por inibição
Desde pequeno já era cristão
Agora me explique caro amigo, o que eu faço
Se aprendo no culto a ser bom, mas não sou?
É que eu sempre estava na linha, Se não, aço
Nas costas, na bunda, na cara e nos braços
Eu era doido porque não podia ser
Mas precisaria crescer pra entender.
Que eu era ruim por ser preso, não possuído
Que eu andei pelado na rua por puro medo
De apanhar por tomar banho de chuva
E eu jurava que se parecesse seco
Sem roupa molhada, eu não levaria bicuda
Nem pensei na vergonha da nudez
Porque com a minha inocente pequenez
Eu estava livrado
Mas ainda molhado.
Caro Danilo, uma vez o psicólogo me disse
Que eu era um anjo com um demoniozinho
Um dentro do outro, vice?
Eu perguntei: tu é meu pai ou se contradisse?
Porque pra me conhecer assim, menininho
Tu é doido igual eu, ou é morto de sabido
E ele tava certo, eu fiquei intrigado
Porque debaixo de toda essas camadas
De engraçado, doido, inteligente e abestalhado
Bem lá no fundo tem uma dose de safado.
Disse que ia demorar pra entrar em consenso
Que eu me reprimiria porque eu não era
Como os outros, eu não tinha senso.
Porque decidiram até o que me saia pela goela
Eu só dizia o que queriam, só fazia isso.
Mas quando pararam eu continuei no eixo.
Mesmo sem mais brigas, sem tapas no queixo
Eu era um rato treinado pra fugir do queijo.
E de certa forma era ótimo pra mim, né?
Sem ratoeiras no meu pé!
Eu era livre e escolhia sempre ficar em casa
Não por pressão, mas por gosto
Quem diria, mãe tinha jeito com criançada!
Hoje, de antes, eu sou o total oposto.
Criei um pouco de juízo na vida
Não tudo, mas é um grande presente
Apesar de ainda dar cada resposta distorcida
Vocês acreditam, eu me passei tanto, gente
Na aula de matemática, disse uma insanidade:
Corta x, dá três igual a dois!
Se só um, quase destruo a humanidade
Quem dirá depois de muito feijão com arroz.
Se eu fosse dois, como o psicólogo contou
Um erro desses dobrado
Um pensamento como o meu, vixe, abalou
Um doido varrido aloucado
E com mais um tris
Destruiria a matrix
E nossa esperança foi por água a baixo
O planeta não suportaria um segundo eu
Um bug na história com despacho
E ninguém me deteu.
Porque eu sou único
Minha loucura é linda, é o que me dá vida
E por meio desse prelúdio
Eu vos conto com bom humor
Danilo, eu vou ser doutor
Mas não perco a essência
Ser doido é minha potência.
E eu vou fazer com maestria
Sempre rindo e contando
Sempre evoluindo e me aprimorando
Um dia eu derrubo a matrix
E todo mundo vai ser feliz.

Estou aqui lendo o seu texto. O ego tentando brigar com o Id de forma Freudiana. Muito bom!
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