Sangue Lunar .Poema.
.Poema.
Sangue Lunar
Você massacrou meu orgulho a um ponto
Que me fez tão intimidado, apaixonado
Que me fez querer te endeusar de novo
Que me fez um masoquista, e no fringir dos ovos
Que te entreguei meu coração, vi ele despedaçar-se
Você me fez acreditar, que era digna de algo grande, mas
Cultuar tão fortemente uma divindade grega é idolatria
Comprometer-se fielmente em te encontrar é loucura
Construir um foguete foi minha maior ousadia
Conversar cara a cara contigo, no céu, era o objetivo
Eu ignorei sua franqueza, me fingi de surdo, cego e maluco
Meu amor por sua imperfeita personalidade
Foi tão avassalador. Um sorriso seu me rendia tanto.
Mas estava errado, hoje tenho certeza.
Tudo idealizado. Já deveria desconfiar de sonhos
Perdi as contas de quantas vezes eu já me imaginei
Infinitas e variadas vezes em que nos beijaríamos
Brincando como duas crianças, de coisas proibidas.
Nós dois sempre ganhamos nos meus sonhos
Na dura realidade, você me destrói
Eu fiz um foguete pra te encontrar no céu
Te encontrei na lua. Você se distanciou tanto assim?
Você me quer, eu sei. Se não, não me deixaria voar
Uma divindade saberia me impedir se não concordasse
E você concorda com isso no seu subconsciente
Agora você me tem, completamente declarado
Apaixonado, subordinado, deplorável.
Eu estou na lua, enfim de frente a você, e como é?
E não me arrependi, até segundos atrás
Eu te olho como nunca olhei, tanto desejo, transborda
Mas eu não sou astronauta, nem um deus como você
Eu não resisto ao vácuo, ele me expande
Você me tem por inteiro, você queria isso, não é?
Você me tem, explodido e terrivelmente morto
Enfim em seus braços, mas mole, derretendo e inútil
Meu corpo se desfigura em sangue, que cai
Sobre a poeira da lua
Você é a causa e a consequência disso.
E me vem à cabeça tantas e tantas vezes o arrependimento
Te amar era suicida desde o começo, e eu fiz isso.
Eu sou sangue lunar diante de você, e agora?
Como diabos eu vim até esse satélite por você,
E você hesita em me ressuscitar?
Cayo Rayan
Confira também o Videopoema desse texto:

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